quinta-feira, 26 de maio de 2016

A CIDADE E AS SERRAS


Recentemente fui a Montalegre (exatamente, na sexta-feira, 13 de maio).

Não foi a primeira vez que ali me desloquei. Tenho o privilégio de conhecer o retângulo muito razoavelmente mesmo os espaços rurais foram das estradas em virtude do vício do BTT.

Eça dizia ironicamente pela boca de João da Ega que "Lisboa é Portugal! Fora de Lisboa não há nada!. O País está todo entre a Arcada e São Bento.” , Pois eu digo-vos que Eça errava e que o país é muito mais que isso.

Evoco aqui o já extinto "Couto Mixto", um micro-estado, semi-independente (ou independente de facto)  no vale do Rio Salas, junto à Serra do Larouco (daqui a evocação de Montalegre) e atualmente em território galego.

Entre outros privilégios e até à assinatura e entrada em vigor do Tratado de Lisboa (1864) cada habitante do Couto elegia livremente a nacionalidade espanhola ou portuguesa

Vale a pena conhecer mais sobre este assunto. recomendo o texto galego da Wikipedia.

terça-feira, 17 de maio de 2016

VIDA DE CÃO


O Papa Francisco, e bem,  lamentou que algumas pessoas sintam compaixão pelos animais, mas depois mostrem indiferença perante as dificuldades de um vizinho.

É óbvio que os animais, sobretudo os de companhia, não são coisas e merecem um estatuto que não tolere a gratuitidade dos maus tratos. Parece-me, todavia, que em algumas mentes há a tendência antropomorfizá-los e que tal situação pode conduzir ao ridículo e paradoxo legais.

De facto, está em discussão na AR em sede de Comissão Especializada uma proposta do PSD e CDS que prevê a criminalização do abandono de idosos. Apenas a abstenção do PS permitiu a baixa à Comissão mas todos os partidos da geringonça alinham pelo mesmo diapasão: "passar a considerar como crime o abandono de um idoso num hospital ou noutro estabelecimento de prestação de cuidados de saúde, como os lares, é fazer com que as famílias sem recursos os possam vir a abandonar noutros locais sem qualquer assistência e é também criminalizar os mais pobres".

Já não há pachorra...

segunda-feira, 16 de maio de 2016

PAPAS E BOLOS


A saga da reposição das 35 horas de trabalho semanal na Administração Pública é bem o exemplo da latitude retórica e interpretativa da geringonça.

Enquanto que, PCP e BE alinhando pelo discurso sindical, as querem "já e para todos" a 1 de julho e ensaiam um discurso impositivo ao próprio setor privado, o PS, por seu turno tendo a responsabilidade governamental pôs-se a fazer contas e viu que, não conseguindo a ilusão de vender a "neutralidade financeira" da medida (sobretudo nos setores de laboração contínua com três turnos de oito horas), aposta na fuga para diante e, não só não avança com o "faseamento" como acusa a "tenebrosa direita" de "entoxicar o debate e dividir os portugueses"

É neste "jogo de sombras" que se avança politicamente entre nós. A culpa do faseamento está em vias de ser vertida sobre a Oposição. 

sexta-feira, 13 de maio de 2016

"IT'S THE ECONOMY, STUPID"


Primeiro foi a queda das exportações, depois a subida do desemprego, hoje o valor do PIB no primeiro trimestre.

A economia cresceu apenas 0,1% no primeiro trimestre deste ano face ao quarto trimestre de 2015 e avançou 0,8% em termos homólogos. Isto significa que a economia abrandou neste primeiro trimestre, não só face aos últimos três meses de 2015, quando o PIB avançou 0,2% em cadeia, mas também em termos homólogos, uma vez que entre janeiro e março do ano passado aumentou 1,7%.

A questão do crescimento económico é absolutamente determinante para Portugal poder prosseguir um caminho de desenvolvimento e de redução do desemprego. Mas isso implicaria uma estratégia de atração do investimento, que não é compaginável com uma retórica que abomina a livre iniciativa, e um clima adequado a que Portugal continuasse a ser um destino favorável ao investimento direto estrangeiro.

Infelizmente aquilo que se verifica entre nós nos dias que correm.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

CANSE-O...


Se a ideia era ajudar na defesa jurídica de José Sócrates então, e ao contrário do mainstream, sou daqueles que entendem que - pelo menos parcialmente - o tiro saiu pela culatra.

O frete jornalístico terá resultado na tentativa de ilibar Fernanda Câncio de algumas suspeições sobre a sua pessoa mas, paradoxalmente, faz com que os argumentos do Ministério Público na "Operação Marquês" sejam tacitamente admitidos como corretos.

Senão como interpretar que, caso “fizesse ideia da relação pecuniária entre Carlos Santos Silva e José Sócrates”, “teria feito perguntas por considerar a situação, no mínimo, eticamente reprovável”.

quarta-feira, 11 de maio de 2016

JERÓNIMO AVANÇA !?


Jerónimo de Sousa reiterou esta terça-feira o “não” ao euro, desvinculando-se também dos Programas de Estabilidade e Nacional de Reformas, tendo-se referido até a uma futura nova moeda portuguesa.

Não deixa de haver um comportamento bipolar na praxis política do PCP. Se, por uma lado, sustenta a "geringonça" assumindo estoicamente as suas dores através de um papismo inaudito, por outro, mantêm a chama acesa de um paternalismo consubstanciado num isolacionismo internacional nos capítulos, económico, financeiro e social em tudo contraditórios com o caminho político que um qualquer Governo de um Estado-membro da UE deverá seguir.

Como será a negociação para o OE 2017? Qual a sua postura face aos compromissos internacionais do Estado Português em matéria de contas públicas?

terça-feira, 10 de maio de 2016

PROXY MINISTER?


Dizer que Mário Nogueira é, de facto, o Ministro da Educação parece-me sinceramente uma hiperbole. No entanto, desde os primeiros atos deste Governo, que o ME me parece o mais ideológico de todos os ministros e, consequentemente, o elo mais fraco do Executivo.

O Ministro pode ser um excelente investigador mas politicamente deixa muito a desejar numa pasta que é sempre a mais quente. Numa tentativa de apaziguar a contestação habitual no sector (que surge de uma bem determinada e definida área sindical docente) enveredou por uma deriva ideológica que põe em causa os fundamentos do pacto social educativo relativamente estável neste quadro constitucional.

Bem pode o Conselho de Ministros cerrar fileiras e bater no peito contra o líder do PSD que este Ministro está, em minha opinião, politicamente ferido de morte.

DESEMPREGO AUMENTA


A festa governativa até seria divertida acaso não se pudesse converter, a médio prazo, em pesadelo.

O bailout de 2011 pode ser comparado a um incêndio que foi combatido arduamente por todos. A fase de rescaldo necessitava de ser bem efetuada por forma a que saíssemos do radar internacional, continuássemos a atrair investimento, a crescer economicamente e, por essa via, a prosseguir na via da descida do desemprego.

Porém, também nesse capítulo, as notícias não são as melhores. já que o desemprego deverá aumentar ligeiramente no primeiro trimestre de 2016 face ao trimestre anterior. Ora, esta inversão na tendência, só pode ser considerada como um revés económico-social para os que nos governam e que apostavam no final da austeridade e no crescimento económico.