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A mostrar mensagens de 2004

POUCA TERRA ENTRE TEJO E SADO

Era este o som mágico que ainda na minha infância os, então já raros, comboios a vapor faziam. Recordo-me de os ver passar ali no apeadeiro do Quebedo em Setúbal, com os seus azulejos azuis interrompendo o chilrear das andorinhas naqueles fins de tarde de Verão.

Admito-o com franqueza: sou um apaixonado por comboios e pelo caminho de ferro. Nunca, no meu perfeito juízo, trocarei uma saborosa viagem de comboio ao Porto pela claustrofóbica cabine de uma aeronave ou mesmo pela enfadonha autoestrada.

Paradoxalmente, este lado nostálgico do caminho de ferro, converte-o de transporte romântico do passado no transporte do futuro. Ele é o único que, na pequena e média distância (e até em alguns trajectos de longa distância, no caso da alta velocidade) pode garantir, a um tempo, velocidade, preservação do ambiente, segurança e qualidade no transporte de pessoas.

Vem tudo isto a propósito do início das ligações ferroviárias directas em via dupla, electrificada e completamente desnivelada entre Lis…

PORTUGAL, OS PORTUGUESES E O EURO 2004

Costumo afirmar que, se todos gostassem de futebol como eu, o dito desporto teria a mesma expressão do badmington… De facto não sou grande apreciador da modalidade. De resto prefiro praticar desporto a assistir e, sobretudo, a discutir em torno do mesmo.

Sem embargo não sou dos que alinham com o coro de protestos contra o evento.

Não podemos tapar o sol com a peneira! O futebol é um incontornável fenómeno de massas em Portugal, à semelhança, de resto, com aquilo que se passa na generalidade dos países europeus.

Veja-se aquilo que se passou a propósito do óbito de Miklos Feher para termos uma ideia precisa da importância sociológica do futebol.

Não será, por isso, difícil de aceitar o papel catalisador que ele tem na nossa sociedade. De certa forma muita da sua conflitualidade é transferida e diluída pelo futebol.

E isso é, queiramos ou não, um fenómeno extremamente positivo.

Fui crítico em relação aos primórdios do Euro 2004: sempre entendi que os dinheiros públicos, por constituírem recurs…