segunda-feira, 13 de abril de 2015

THE FINAL CUT

Podemos abominar os mercados? Podemos.

Podemos achar que o chamado "orgulho nacional " se sobrepõe à "realpolitik" e que isso é popular?  Podemos.

Mas chega a um ponto em que a credibilidade das políticas, dos propósitos e do compromisso de honrar as responsabilidades se sobrepõe a tudo.

Na Grécia o choque da realidade prepara-se para falar mais alto e as falhas de pagamento vão começar.

Importa, por cá, se reconheça que, apesar dos erros, a direção politica foi determinante para que Portugal seja percebido de modo diametralmente oposto da Grécia.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

CUIDADO COM OS IDOS DE MARÇO

A intenção de baixar os custos do trabalho para as empresas por via da baixa da parte empresarial da TSU  (desvalorização fiscal) é uma daquelas medidas que tecnicamente fazem todo o sentido como forma de aumentar a competitividade das empresas portuguesas.

Porém, do ponto de vista político, terá de ser bem desenhada sob pena de, por um lado, descapitalizar a sempre sensível Segurança Social e de, por outro, poder ressuscitar o síndroma "Robin Hood" que pôs tanta gente na rua no início da legislatura.

Dispensa-se areia na engrenagem em ano eleições e em que Portugal pode regredir para os exemplos helénicos, com o rol de desgraças associadas, caso a maioria não se renove.

EM CONTRACICLO

Numa altura em que os anúncios das proto-candidaturas se multiplicam como cogumelos a entrevista que AG em inglês escorreito  concede à Euronews e na qual se excluí da corrida presidencial surge em contraciclo com a feira de vaidades que se vive por cá.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

ROSETA STONE ?


"Aos microfones da Antena 1, entrevistada por Maria Flor Pedroso, a presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, Helena Roseta, admitiu que não poria de parte uma candidatura a Presidente da República “se tivesse dinheiro” para tal."

terça-feira, 31 de março de 2015

VERDADEIRAMENTE UMA REVOLUÇÃO TRANQUILA

A Madeira escolheu mudar mantendo o PSD.

Aparentemente contraditório mas, na realidade, é bem o sinal que os eleitores reconhecem no PSD a única força política que, tendo sido poder, foi responsável pelo enorme desenvolvimento da Região desde que adquiriu o seu estatuto autonómico e, por respeito a essa tradição, confiam numa liderança renovada para um novo ciclo de desenvolvimento económico e social.

domingo, 29 de março de 2015

BRAVO SARKO

Sarkozy e a UMP são os heróis das eleições departamentais francesas.

É o mérito da persistência e da manutenção dos ideais e valores republicanos num pais que é nuclear para o projeto europeu.

A grande lição é que os franceses não foram sensíveis ao populismo fácil  do discurso anti-europeu e até de um certo fascismo recauchetado do FN.

Será importante que os cidadãos da UE sibam distinguir o essencial do acessório e que apesar das vicissitudes da construção deste projeto comum se mantenham imunes aos cantos de sereia que o pretendem destruir venham pelo ouvido esquerdo ou direito.

segunda-feira, 23 de março de 2015

COFRES CHEIOS E VAZIOS


A política de casos desta pré-campanha conheceu novo artificialismo mediático em virtude da afirmação da Ministra de Estado e das Finanças de que "o país tem os cofres cheios".

Como todas as frases retiradas do respetivo contexto, profusamente glosadas na comunicação social e no ciberespaço, as polémicas desenvolvem-se como os organismos vivos, isto é, de modo autónomo e sem controlo, ninguém se importando de contextualizar o facto que lhe está na origem na sua plena integralidade.

Analisemos porém toda a frase: " [A dívida pública] está, de facto, ainda muito elevada (...). Mas hoje, quando olhamos para a dívida pública, está lá tudo e está também o conforto de saber que, para além disso, temos cofres cheios para poder dizer tranquilamente que se alguma coisa acontecer à nossa volta que perturbe o funcionamento do mercado, nós podemos estar tranquilamente durante um período prolongado sem precisar de ir ao mercado, satisfazendo todos os nossos compromissos".

Ou seja, só por ignorância ou má-fé discordaremos da mesma. Ela reconhece que a dívida é elevada, que a reserva financeira é obtida pelo endividamento mas que, contrastando com o que se passou em maio de 2011 (e já agora, nos dias que correm na Grécia) há o dinheiro suficiente para qualquer eventualidade e para satisfazer compromissos tão básicos do Estado como sejam os vencimentos dos trabalhadores da Administração Pública e as prestações sociais.

Foi pelo facto insofismável dos "cofres vazios" e sem qualquer possibilidade de os "encher" que, em maio de 2011, o país teve de bater à porta dos credores internacionais (anteriormente conhecidos por "troika"), de aceitar um Memorando de Entendimento e um jugo internacional que o reduziram politicamente a pouco mais que um protetorado mas do qual se soube reerguer exemplarmente.

Se a opção é entre os cofres estarem cheios ou vazios julgo que ninguém (nem mesmo os detratores) hesitará um segundo sobre qual das situações prefere.