É inegável que a gestão autárquica comunista em Almada e, sobretudo a sua presidente, souberam criar uma imagem positiva à custa de gastos sumptuários em propaganda. Nisso Almada sempre esteve na dianteira dos municípios portugueses.
No entanto há limites que não podem ser ultrapassados sob pena de se ultrajar a própria democracia.
De facto, o exercício da democracia no período que antecede eleições autárquicas exige comportamentos éticos acima de quaisquer suspeitas por parte dos órgãos de poder autárquico que deverão manter uma estrita neutralidade e actuarem mesmo como o garante da igualdade de oportunidades e de tratamento entre as diversas candidaturas a sufrágio.
Infelizmente isso não é válido para o concelho de Almada.
É que estamos neste momento a assistir, de forma despudorada, a uma tentativa de interferência grosseira no formar da vontade eleitoral dos almadenses.
Está em curso, nas ruas de Almada, uma campanha publicitária da Câmara Municipal de pseudo - promoção da “Imagem de Almada”, em pleno período de campanha eleitoral autárquica, cujos custos desconhecemos mas que são, certamente, muito elevados.
Trata-se de “propaganda institucional” contrariando as recomendações da C.N.E. e o próprio espírito da lei, que aconselham os órgãos autárquicos a manterem, nestes períodos, uma estrita neutralidade não intervindo, directa ou indirectamente, na campanha eleitoral.
Esta campanha é composta por inúmeros “outdoors” espalhados pelo concelho, uma vistosa exposição no centro de Almada e incluiu um encarte na edição do passado sábado do semanário “Expresso” e diversos “spots” televisivos.
É deste modo despudorado que a autarquia viola a neutralidade que deve manter enquanto instituição e que desbarata os dinheiros públicos numa altura em que, a nível nacional a contenção na despesa pública deve ser a pedra de toque da actuação dos órgãos de poder em Portugal.
Desafiamos desde já a Câmara Municipal, em nome da lisura de procedimentos, a cessar essa actividade de propaganda com o dinheiro público e a revelar quanto gastou na mesma o mesmo será dizer, em quanto esbulhou os cofres municipais (constituídos por dinheiro dos contribuintes). São verbas que, inevitavelmente, farão falta para cumprir as suas verdadeiras atribuições municipais.
Será que a gestão comunista acha que “os fins justificam os meios” ou que “com papas e bolos se enganam os tolos”? Deixem os almadenses decidir em liberdade, deixem que todas as candidaturas possam, em igualdade de circunstâncias, apresentar as suas propostas e as suas alternativas para Almada.
É que, para lá desta cortina de fumo criado pela propaganda há a realidade do concelho que não corresponde, nem de perto, nem de longe, a retratos de crianças sorridentes e rosadas em planos fotográficos devidamente enquadrados e filtrados, a fazer lembrar, a famigerada publicação “Vida Soviética” de má memória, com que querem convencer os almadenses que esta terra é uma espécie de oásis no deserto dos problemas da Área Metropolitana de Lisboa.
E o concelho não está bem ao contrário daquilo que nos querem fazer crer.
Pedro Roque
Candidato do PSD à Câmara Municipal de Almada
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