quinta-feira, 28 de junho de 2007

NOVO AEROPORTO DE LISBOA

Publicado nos jornais "Setúbal na Rede" e "Notícias de Almada"

A decisão governamental de suspender o processo relativo à localização do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) em virtude de um estudo promovido pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) e que aponta para uma localização alternativa no chamado “Campo de Tiro de Alcochete” aparentemente é louvável.

De facto era, cada vez mais, incompreensível a teimosia de avançar com a localização do NAL na Ota ao arrepio do bom senso e da maioria das opiniões técnicas que apontavam para a margem sul do Tejo como a mais indicada para o efeito.

Desse ponto de vista a decisão é de saudar.

Todavia parece-nos que, quer a decisão, quer o estudo que lhe deu origem, para além do aparente bom senso, esconde uma série de interrogações que não obtêm, para já, resposta.

Como é possível que, há poucas semanas, o Ministro da Tutela, referindo-se a uma eventual localização do NAL na margem sul, tenha respondido com um prosaico e francófono “jamais” e tenha acrescentado que o NAL nunca poderia ser construído num local sem hospitais ou escolas (num “deserto” como bizarramente qualificou a margem sul do Tejo) para, pouco tempo depois, inflectir 180º essas afirmações admitindo a hipótese Alcochete?

Estamos perante um indisfarçável tacticismo político, por parte do Governo, no que ao NAL diz respeito. Trata-se, agora, de estudar comparativamente uma localização alternativa à Ota em virtude de uma incontornável maré contrária a esta localização por parte da oposição parlamentar, do Presidente da República, da maioria dos técnicos de engenharia e ordenamento territorial e da opinião pública em geral.

A tal decisão não será alheia, certamente, a circunstância de estarmos em plena campanha eleitoral para a Câmara Municipal de Lisboa e de a decisão, que se afigurava, cada vez mais, irreversível da localização na Ota se constituir como uma pedra no sapato para o candidato socialista à Câmara da capital.

De igual modo Sócrates não perde a oportunidade de mostrar que, ao contrário da imagem de autoritarismo e intolerância que procura cultivar na opinião pública, com esta surpreendente mudança, procurar pacificar a polémica (sempre desgastante para o Governo em função da oposição generalizada à Ota), evitando uma crispação com Belém e acima de tudo, procurando demonstrar que, afinal, até é um político sensato.

Há que procurar analisar este facto político para além do seu lado superficial e verificar que, sem colocar em causa o tremendo erro estratégico que será a construção do NAL na Ota, este estudo da CIP surge como uma espécie de coelho tirado da cartola que, mesmo sendo “preliminar e muito incompleto” constituiu-se, por força das circunstâncias, numa “tábua de salvação” para este Governo que estava, até então, em posição muito delicada face à sua teimosia sobre o assunto e aos excessos oratórios do Eng. Lino.

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