quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Entretanto no Planeta Terra


Está no terreno a medida "Formação - Algarve" após a proposta de resolução que apresentei na AR ter sido aprovada e o Governo a ter desenhado, envolvendo 5 milhões de euros e irá beneficiar entre 2000 e 3000 pessoas na região portuguesa mais afectada pelo desemprego.

Esta é uma boa notícia para a região e, acima de tudo para pessoas que, de outro modo, na época baixa do turismo atravessariam um período de desemprego.

Leia- se a notícia:


Governo empenhado em "melhores" condições de vida dos portugueses 

O secretário de Estado do Emprego, Pedro Silva Martins, que ontem foi recebido em Faro por um grupo de manifestantes, afirmou que o Governo está empenhado em tornar as condições de vida dos portugueses "melhores num futuro próximo".

O governante foi recebido no Centro de Formação Profissional de Faro por um grupo de cerca de 30 manifestantes, que ostentavam faixas e cartazes a contestar o desemprego e a precariedade, gritando palavras de ordem contra o Governo. 

Os manifestantes, na sua maioria da União de Sindicatos do Algarve (USAL) e da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), foram impedidos de entrar no recinto onde iria decorrer a apresentação pública do programa Formação Algarve, o que gerou alguns momentos de tensão. 

No final da cerimónia, instado a comentar a manifestação, Pedro Silva Martins disse aos jornalistas que o Governo está empenhado em tornar as condições de vida dos portugueses "melhores num futuro próximo". 

"Posso referir, como já o fiz noutras ocasiões, que obviamente a situação do país é difícil e que há um desagrado por parte de muitas pessoas, mas o Governo está empenhado em desenvolver medidas, como esta, que vão efetivamente combater o problema do desemprego", afirmou. 

Pedro Silva Martins, que presidiu à cerimónia de apresentação pública do programa Formação Algarve, admitiu que a medida não vai resolver o problema do desemprego na região, mas considerou-a "um passo importante". 

Criado especificamente para a região algarvia, o programa tem um orçamento previsto de cinco milhões de euros e estima-se que possa abranger entre 2.000 a 3.000 pessoas, no seu primeiro ano de funcionamento. 

De acordo com o secretário de Estado do Emprego, a medida vai também permitir alguma poupança aos cofres do Estado, já que a Segurança Social teria que assumir os custos das pessoas que ficassem numa situação de desemprego. 

Pedro Silva Martins frisou ainda que se alguma empresa abrangida despedir um trabalhador do quadro para o substituir por um contratado, perde automaticamente o direito ao apoio. 

A medida prevê um apoio financeiro correspondente a 50% da retribuição mensal bruta de um trabalhador, caso a empresa prolongue o seu contrato a termo para lá do final da época alta, por um período mínimo de um ano. 

A comparticipação estatal no salário pode subir para 60% da retribuição nos casos de conversão de contrato de trabalho a termo certo em contrato de trabalho sem termo. 

O programa prevê um apoio máximo de 460 euros por mês, por trabalhador, referiu ainda Pedro Silva Martins. 

O apoio estatal implica a frequência de programas de formação profissional por parte dos trabalhadores em causa, integrados nos horários de trabalho. 

O programa destina-se a empresas nos setores da hotelaria, restauração, turismo, comércio e construção civil.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Blindness


O vendaval político que se seguiu ao anúncio de dia 7 referente à TSU tem um lado pedagógico e democrático mas levanta um problema prático complicado.

Muita gente acha agora que a austeridade é desnecessária e que o Governo a implementa apenas "porque sim".

Este "estado de negação" intuído colectivamente, mas induzido irresponsavelmente por muitos actores políticos (alguns até responsáveis pela situação em que nos encontramos) pode virar-se contra Portugal e ser responsável por uma crise a todos os níveis sem precedentes.

Convém que as pessoas saibam que, de momento, não somos independentes e nos resumimos a ser um protectorado económico, simplesmente porque nos pusemos a jeito (todos, convém não esquecer).

Temos de regressar à Terra, devolver alguma racionalidade ao debate político, "corrigir o tiro" relativamente à TSU, concertar posições com os Parceiros Sociais e prosseguir neste caminho de recuperação da nossa independência económica.

A emotividade é sedutora mas conduz à irracionalidade e esse é o campo da esquerda utópica e o oposto do que Portugal necessita.

Acho porém que numa coisa todos estaremos de acordo: queremos livrar-nos Troika o mais rapidamente possível já que esse será o sinal da nossa redenção mas para isso temos de fazer o "trabalho de casa".

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Bona Fide


Após o PR ter recebido ontem os parceiros sociais signatários do Acordo Tripartido, amanhã será a vez do Primeiro-Ministro reunir com os mesmos.

A questão da alteração da relação da TSU recentra-se, finalmente, no local onde, afinal, deveria de ter começado - a Concertação Social. Tenho dito e repetido que o anúncio do Governo foi um erro político e essa minha convicção começou no serão de sexta-feira, dia 7 de Setembro e tem-se cimentado ao mesmo tempo que os dias passam e sucessivos episódios se repetem designadamente as demonstrações de sábado e a exdruxula declaração "portiana" (não pelo conteúdo mas pela forma e pela oportunidade).

Só esta atitude de humildade democrática pode salvar o país já que, ao privilegiar a Concertação, servirá para descomprimir uma sociedade que está emocionalmente divorciada do Governo e do PM e perto de uma crise política que não se pode dar ao luxo de pagar.

Que os bons exemplos frutifiquem, a bem de Portugal.


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Atenas ou Dublin?


A acreditar nesta notícia parece que nos encaminhamos mais para o Egeu do que para o Mar do Norte.

A Troika, sobretudo na sua vertente CE, que estava a ser parte da solução pode tornar-se parte do problema. Convém que se realce que Portugal e os portugueses têm cumprido exemplarmente porque tem havido coesão política e social.

E isso tem sido repetido a outrance pelos arautos da fé como um caso de sucesso na implementação dos programas de reajustamento. 

Será que querem matar a galinha dos ovos de ouro?


Os Amanhãs que Cantam



Curioso o nome do Restaurante escolhido pelo eng. JS para jantar com a "tralha".

Sinal dos tempos ou um teste à memória de curto prazo dos portugueses?

Virtus in medium est


Muitos ficaram surpreendidos com a declaração de PP ontem.

Não me conto nesse número, devo confessar. PP está apenas a ser coerente e consequente com uma estratégia persistente de reposicionar o CDS no espaço do centro político.

Assim, aos olhos dos cidadãos, a intenção de alterar a TSU passa a ser uma teimosia do PSD e, como é associada a um sentimento de insensibilidade social, "cola-nos" à direita e o CDS passa a imagem do "bom samaritano", democrata-cristão e do centro, esse mesmo onde afinal e invariavelmente, se ganham as eleições em Portugal.

É mais um episódio de um longo caminho de demarcação relativamente à imagem do "táxi" e do anti-europeismo dos tempos do "Manel" que divorciaram o eleitorado relativamente ao CDS.

A pergunta fica no ar: o PSD irá puxar dos seus pergaminhos sociais-democratas (e ter uma prática política consentânea com isso) ou vai dextramente acantonar-se e assistir à degradação da sua imagem na opinião pública com a consequente erosão eleitoral?

domingo, 16 de setembro de 2012

Bailout


Aquilo que caracteriza o foto-jornalismo é o facto de uma imagem ser de tal modo expressiva que dispensa qualquer comentário.

Creio que estamos perante um desses exemplos.

Ainda assim não resisto a dizer que este é mesmo um daqueles casos em que se pode afirmar que os Homens são de Marte e as Mulheres de Vénus.

E viva a diferença!

Politeia - πολιτεία


Em jeito de memorando.

Os demónios parecem estar à solta por estes dias. As manifestações de ontem, se bem que integradas num movimento internacional, são demasiado ruidosas para que possam ser pura e simplesmente ignoradas.

Tenho para mim que, se o protesto tem acontecido antes do dia 7 deste mês não teria, nem de perto, nem de longe, esta expressão numérica. Por isso, o anúncio da intenção de alteração da TSU é a questão nuclear e é sobre ela que se tem de actuar sob pena de Portugal não ter chance de redenção.

Mas qual é o "pecado original" desta questão?

Aparentemente, do ponto de vista técnico, parecia ser um ovo de Colombo, senão veja-se:
  • permitiria respeitar o acórdão do Tribunal Constitucional (cortes salariais trabalhadores público Vs. privado);
  • dava resposta a uma das medidas constantes do Memorando de Entendimento - desvalorização fiscal e, por essa via e pelo menos em tese, aumentar a competitividade da economia portuguesa;
  • ao ser extensível aos funcionários públicos resolvia, desde logo, o problema da devolução de um dos dois subsídios que acaba por retornar ao Estado;
  • por último, procede à desvalorização salarial que alguns defendem (e não só necessariamente os chamados neo-liberais) para os países periféricos da zona Euro ao reduzir o salário líquido.
Só que, o problema é que parece ter havido competência técnica a mais mas intuição política a menos.

A política é a arte de administrar a coisa pública e tem de estar no centro da actuação dos poderes públicos e, amiúde, o nosso Partido falha nisso sendo este apenas o episódio mais recente.

A questão do anúncio da intenção de alterar a relação da contribuição trabalhador-empregador na TSU, constitui um erro político grave e, pelo andar da carruagem, se a política continuar a não prevalecer sobre a tecnocracia, temo que se possa tornar num case-study académico.

Em primeiro lugar, pelo simbolismo ideológico que encerra. Acredito que, na mente de quem planeou a medida, isso não tenha sido intencional ou sequer ocorrido mas, na realidade, um dos princípios empíricos da política, é que o que parece é. Ou seja, aos olhos do cidadão comum (onde se inclui também o militante de base do PSD e do CDS) esta medida parece que financia o empregador à custa do rendimento do trabalhador que fica assim mais reduzido. Aos olhos de muitos assemelha-se a uma espécie de Robin Hood invertido.

Em segundo lugar porque, de todos os quadrantes da opinião publicada e de especialistas de Economia, se ergueram as vozes que puseram em causa a eficácia desta medida em termos de criação líquida de emprego e alertaram para os riscos de agravamento da recessão por via de nova diminuição do poder de compra.

Em terceiro lugar porque a desvalorização é generalizada e cega não discriminando positivamente as empresas do sector dos bens e serviços transaccionáveis, antes colocando no mesmo saco estas com as empresas dos sectores protegidos da Economia, algumas actuando inclusivamente em regime monopólio e que acumulam, invariavelmente, lucros interessantes.

Em quarto lugar, porque faz os cidadãos reagirem colericamente contra o Governo, a Troika e o programa de assistência financeira, branqueando, ou pelo menos secundarizando, as responsabilidades do PS na situação a que o país foi conduzido, comprometendo os esforços colectivos e os sacrifícios feitos até ao momento e que estão na base do caso de sucesso do programa português como é reconhecido nacional e internacionalmente. 

Por último, mas não por menos, uma razão que é, a um tempo, política mas também técnica. É que, na realidade esta será uma medida que onerará todos os trabalhadores (em acréscimo à necessária austeridade a que têm estado sujeitos) mas que não contribuirá para a consolidação das contas públicas já que, aquilo que será descontado a mais ao salário do trabalhador, será quase equivalente ao descontado a menos na contribuição do empregador. Na prática, para o trabalhador representa uma nova redução do seu rendimento. Ora, como sabemos todos muito bem, o programa português apesar de estar a correr bem, como provam as avaliações trimestrais, ainda está longe de ter terminado e será necessário pedir novas medidas de austeridade a cidadãos que, por via desta questão da TSU, terão uma redução adicional do seu salário. Ou seja, retiram capacidade de os portugueses poderem suportar mais  austeridade e, acima de tudo, divorciam-nos do Executivo. 

O erro político subjacente é que se corre o risco sério de se comprometer aqueles que todos reconhecemos como sendo os maiores assets do programa português: a coesão política, já que o PS aproveitou o pretexto para, de modo oportunista, se retirar do consenso e a coesão social seja por via da reacção dos Parceiros Sociais signatários do Acordo de Concertação, seja também e sobretudo, por via do descontentamento generalizado dos portugueses bem patente na adesão numérica às manifestações de ontem.

Chegados a este ponto é tempo de conter os danos, deixar a política e o bom-senso imperarem e de salvar o essencial dando espaço à negociação institucional desta questão da TSU na Concertação Social, em nome dos superiores interesses de Portugal esperando que todos, Governo e Parceiros, possam estar de novo à altura das suas responsabilidades num momento tão exigente da nossa História.

Lisboa, 16 de Setembro de 2012



sábado, 15 de setembro de 2012

Morder el Perro


A química de JMR: primeiro a Madeira, depois o CDS e só depois Portugal.

Stay Cool


Vamos a ter calma Portugal.

Temos de sair "disto" juntos.

Topete 2 ou "E o povo pá?"


Acabei de ouvir o grande VC nas suas vestes de Vice do BCE.

Pasme-se com a declaração de quem, na sua fase BdP, durante tanto tempo branqueou as políticas ruinosas do estudante parisiense.

Afirma VC: "o que importa" é que exista em Portugal "um Governo e uma maioria parlamentar que executem os programas e as medidas", para que o processo de ajustamento avance."


In Organics


É certo que, se esta manifestação se realizasse antes do dia 7 de Setembro, teria muito menos adesão. É que, segundo Mirabeau, do Capitólio à Rocha Trapeia dista apenas um pequeno passo, ou seja, quando a política cede o passo à tecnocracia inábil temos o divórcio dos cidadãos.

Mas também é certo que, nestas chamadas "manifestações inorgânicas", com o devido respeito por quem se manifesta, não há rei nem roque. Exige-se o impossivel, alterna-se entre Atenas e Reykjavik, olvida-se Paris, perde-se o discernimento e abre-se o caminho ao aproveitamento puro e duro pelos profissionais da contestação.

Lá estão a extrema direita e os anarcas irmanados de um mesmo ideal (seja ele qual for) e o incontornável GP, grande educador das insatisfações desta vida.

A solução para todos os males? Não pagamos, claro está!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Eppur si Muove


Enquanto no plano político parece que os demónios estão à solta um site internacional de referência classifica-nos no Top 10 dos países mais belos do mundo. Curioso que, há pouco, correndo um pouco junto ao Tejo achei o mesmo.

Para alegrar as nossas existências fica aqui o excerto referente a este Jardim à Beira Mar Plantado:

For the pristine natural wonders of the volcanic Azores alone, Portugal would be on this list. Then there's the "floating garden" that is Madeira, the dramatic coastline and mystical capes of the mainland, the serene plains of the Alentejo with the stunningly-sited white medieval vilages of Marvão and Monsaraz, the Peneda-Gerês National Park, or the perfect collaboration of man and nature in the magic fantasy of Sintra and verdant Douro Valley. And while the old centers of LISBON and Porto are inexplicably rundown and stubbornly neglected, it's hard to match their scenic beauty with their grand riverside settings. Everything is in a small scale but when all combined it's impressive how so much diverse beauty somehow fits in such a tiny country that seems to be a favorite of the sun.


Topete


Ontem assistimos a um AJS exultante comunicando urbi et orbi a exumação do machado de guerra socialista com o Governo.

Isto após a providencial trégua interna resultante do vendaval político criado com o "dossier TSU". Os Partidos são mesmo assim, isto é, reagem como o espécime canino de Pavlov perante a mínima perspectiva de uma campainha que possa tocar e cavalgam o descontentamento popular dando rédea solta à mais melodiosa demagogia que a retórica possa criar.

Convirá todavia que, aqueles que por estes dias acham que este Governo que elegeram há um ano atrás é, afinal, a reencarnação do Mal, não esqueçam qual foi o Partido que esteve na génese do endividamento galopante, das "gloriosas" PPP's, das auto-estradas desertas, da "festa" do Parque Escolar e da inevitável chamada urgente dos man in black  (FMO, BCE, CE) para que o estado pudesse continuar a pagar salários e pensões.

A Água do Banho


Por estes dias políticos parece que os demónios andam à solta.

Como somos de extremos transitamos da euforia à depressão num ápice quando aquilo que se exige é serenidade.

É certo que a questão da TSU é central no debate e sou daqueles que entendem que representa um colossal erro bastando, para isso, constatar uma quase unanimidade em torno desse mesmo pressuposto.

Mas isto não justifica uma série de coisas, a começar no insulto, a passar pela irreflexão e a terminar no sempre perigoso oportunismo, sobretudo por parte daqueles que, afinal de contas, nos conduziram ao atoleiro financeiro de que nos temos, malgré tout, vindo a reerguer à custa de grandes sacrifícios colectivos.

Portugal está num daqueles momentos que exige de todos o nosso melhor sentido de responsabilidade já que não tem possibilidade de falhar. Temos tudo a perder e nada a ganhar.

É necessário assim colocar o interesse colectivo acima dos egoísmos pessoais ou grupais, a começar no Governo e a terminar no cidadão em nome do futuro, em nome de Portugal.

A premissa cartesiana é bem o exemplo da racionalidade que deve prevalecer sobre a esterilidade emotiva:  "le bon sens est la chose du monde la mieux partagée" e, afinal de contas, não onera o défice.

DISCLAIMER


A ex-líder do PSD deu ontem uma entrevista à TVI 24.

Não passaram 24 horas para que surgissem as caixas de ressonância que "exigem" que os deputados do PSD votem contra a proposta de OE 2013 (que não está sequer pronta e apresentada).

A minha posição e dos TSD sobre a questão das alterações à TSU é conhecida e pública.

Ainda assim acho, em plena consciência, que o país tem tudo a perder com o "chumbo" do Orçamento de 2013. Depois de todos os sacrifícios, de todo o caminho ascendente, da diferença de percepção internacional, do ganho de credibilidade, de estarmos tão perto de vencer as adversidades e de reconquistarmos a nossa soberania vamos pôr tudo em causa?

Para que conste: votarei favoravelmente a proposta de Orçamento de Estado de 2013!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

A TOMADA DE POSIÇÃO DO SE TSD




O GOVERNO DEVE PUGNAR PELA EFETIVA EQUIDADE NA DISTRIBUIÇÃO DOS SACRIFÍCIOS E PELA MANUTENÇÃO DO DIÁLOGO SOCIAL EM PORTUGAL
 
Em declaração pública na passada sexta-feira o Primeiro Ministro de Portugal anunciou um conjunto de medidas para o Orçamento de Estado de 2013.


Face quer ao anúncio, quer às inúmeras reações que suscitou na opinião pública, o Secretariado Executivo dos TSD entende declarar o seguinte:

1. Entendemos que Portugal continua a enfrentar desafios cruciais no futuro imediato devido às opções de desenvolvimento erradas dos últimos anos por parte dos governos socialistas e que motivaram a necessidade de um resgate da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional para fazer face às dificuldades financeiras.

2. Vencer este desafio é estratégico para o país. Até ao momento, e com inegável sucesso, os portugueses e o Governo tem feito um esforço decisivo para levar de vencida as enormes dificuldades. Para isso tem sido fundamental, por um lado, a sensação de justiça na distribuição dos sacrifícios e, por outro, o Acordo de Concertação Social alcançado entre Governo e Parceiros.

3. Todavia, os TSD entendem que não terá existido a ponderação suficiente na referida comunicação efetuada aos portugueses e que, a mesma, terá contribuído para uma indesejável deterioração da confiança entre a opinião pública e o Executivo.

4. As medidas anunciadas de modo concreto transmitem a incómoda sensação de se onerarem os rendimentos do Trabalho e, ao invés, desonerarem os rendimentos do capital. Tal sensação vem minar a indispensável confiança que tem de existir entre governantes e governados (sobretudo os que vivem do seu salário).

5. De igual modo, esta quebra de confiança pode pôr em causa a coesão social e o Acordo alcançado entre Governo e Parceiros de que, aliás, o Primeiro Ministro foi o principal obreiro. Tal facto constituiria um forte revés no caminho de superação das dificuldades que tem vindo a ser trilhado com sucesso até ao momento como é internacionalmente reconhecido.

6. Exortamos o Governo a que possa, quanto antes, esclarecer com detalhe como é que pretende concretamente desfazer a sensação criada, por forma a repor a sensação de equidade e de justiça e retomar a confiança dos cidadãos e dos parceiros indispensável para que Portugal possa continuar a trilhar a sua recuperação económica e social.

Os TSD reunirão, no próximo sábado, pelas 10:00 na sua sede em Lisboa, o Secretariado Nacional para analisar com maior detalhe e profundidade este assunto relevante.

Lisboa, 10 de Setembro de 2012

Pelo Secretariado Executivo,

Pedro Roque
Secretário Geral

PARA MEMÓRIA FUTURA



Para além da frase chamada para título da notícia do Público será conveniente que se leia o conjunto da entrevista de Abebe Selassie, chefe de missão do FMI.

Desde já declaro que teria preferido que a desvalorização fiscal, a acontecer, descriminasse positivamente o sector dos bens e serviços transaccionáveis e que o seu financiamento se centrasse sobre o consumo já que, ser suportada pela contribuição laboral para a TSU, me parece injusta e geradora de um vendaval politico-mediático de consequências ainda imprevisíveis.

De resto aquilo que declara sobre o sucesso do ajustamento até ao momento leva-me a que possa apelar a um bom senso generalizado para que "não se deite fora o bebé com a água do banho".

REBORN BLOG


A difícil conjuntura que atravessamos leva-me a que reedite este blogue como uma forma de intervir civicamente para além da minha participação política enquanto deputado, dirigente do PSD e Secretário-Geral dos TSD - Trabalhadores Social Democratas.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

CRISIS SYMPTOMS


Ontem ao serão testemunhei um caso de polícia bizarro.

Saindo do restaurante com dois velhos amigos e regressando à viatura de um deles onde nos havíamos deslocado deparamos com uma criatura sentada no lugar do pendura vasculhando o porta-luvas. A estupefação deu lugar à interpelação forte por parte do meu amigo PI: "que fazes dentro do meus carro?". O prevaricador rapidamente saíu de dentro da viatura e apressando o passo retorquiu: "desculpe lá amigo!".

A prudência manda, nestes casos, não partir para "cima do adversário" já que este, sentido-se ameaçado e possuindo uma arma, pode reagir utilizando-a. Ainda assim e mantendo uma distância prudente fiz questão de o seguir. Perante o facto de se sentir acossado meteu-se dentro de um táxi e despareceu de cena.

Feito o balanço verificou-se que apenas levou consigo bagatelas, deixou um maço de cigarros cheio dentro da viatura e anda teve de pagar a corrida do taxi.

Ora este foi um sinal evidente que a crise se instalou em todos os sectores da atividade económica. Também ao nível criminal se paga para trabalhar em Portugal.

THE PERFECT STORM


À medida que os dias passam adensa-se a desconfiança dos mercados sobre a zona Euro e mesmo sobre a economia internacional. Espanha, Itália e Chipre (quiçá a Bélgica e a própria França) parecem estar na "zona de morte" onde já pereceram Grécia, Irlanda e Portugal.

Do outro lado do "charco" chegam também notícias não muito tranquilizadoras e que dão conta de fragilidades estruturais da economia norte-americana.

Hoje as bolsas acordaram nervosíssimas em forte perda na Europa consubstanciando a instabilidade dos últimos dias.

Tudo se começa a assemelhar a uma tempestade perfeita com consequências imprevisíveis do ponto de vista financeiro, económico e social.

Está na altura de os dirigentes políticos internacionais estarem à altura das suas responsabilidades e agirem. A cooperação internacional é fundamental sob pena de todos perecermos na tempestade. 

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

CRAVINHO-DA-ÍNDIA


João Gomes Cravinho acaba de ser nomeado chefe da delegação da UE em Nova Deli. O cargo equivale a embaixador e apenas assim não é designado uma vez que a UE não é um estado-nação.

Esta é uma notícia excelente já que mais um português é nomeado para um cargo internacional de destaque.

Atendendo ao facto da Índia ser uma das economias emergentes mais poderosas a nível mundial o cargo que Cravinho irá ocupar reveste-se de uma enorme importância estratégica.


BPN - CASE SOLVED


A nacionalização do BPN provou ser, ab initio, um péssimo negócio para os contribuintes.

Às razões de natureza financeira que desaconselhariam a opção encontrada pelo governo socialista sobrepuseram-se "outros valores" já que alguns dos implicados na acção judicial estiveram, no passado, ligados ao PSD e interessava criar, junto da opinião pública, um nexo entre este partido e o caso de polícia associado à instituição bancária.

Agora que, em virtude do prazo fixado no MoU, o banco será finalmente vendido e se virará uma página sobre a ruinosa nacionalização, com alívio expresso dos contribuintes deste país, aqui d'el rei que está vendido ao desbarato - isto mesmo depois de duas tentativas anteriores de reprivatização pelos governos socialistas que ficaram desertas.

Parece que, para a oposição, o BPN se tornou por milagre numa espécie de "Jóia da Coroa" da banca nacional. Esquecem porém que, a alternativa, era pura e simplesmente a sua liquidação e o despedimento dos seus mais de 1500 trabalhadores.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

AS LIÇÕES DE OSLO


Aparentemente Anders Behring Breivik, o autor confesso do duplo atentado de Oslo, agiu sozinho.

Num manifesto de mais de 1500 páginas que fez publicar online pode ler-se alguma da filosofia de base e na qual fundamentou os seus atos. Trata-se de um autêntico manual de ação que, para além da vulgata xenófoba habitual da extrema-direita, contem um plano com atuações de terror em diversos países europeus.

Não parece haver dúvidas que, o autor do plano e das ações, sendo um perigoso sociopata é também um indivíduo inteligente, frio e metódico que planeou, ao detalhe as suas ações.

No entanto parece óbvio que longe dos clássicos "atentado suicida" ou "hit and run", que constituem o habitual modus operandi dos terroristas, neste caso, o ser capturado parece fazer parte do plano.

O julgamento será assim uma peça essencial do espalhar da mensagem procurando alastrar as sementes do ódio a outras partes da Europa onde há, infelizmente, um solo fértil à espera de uma colheita terrorista.

Será importante que, quer as autoridades judiciais norueguesas, quer a comunicação social, tenham um papel preventivo evitando toda a publicidade e julgando à porta fechada. Caso contrário e, por omissão, estarão a fazer o jogo do homicida.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

PAIN RELIEF


A decisão de suavizar os juros à Grécia (e, por arrastamento, à Irlanda e Portugal) é uma decisão correta e que representa um efetivo gesto de solidariedade do conjunto da zona Euro aos países que estão em dificuldades e que, por esse motivo, recorreram ao bail-out internacional.

De imediato os mercados reagiram positivamente aliviando a pressão a que as dívidas soberanas destes países têm estado sujeitas.

No caso português é uma recompensa adicional para o rigor com que a maioria dos portugueses e dos seus representantes encaram a difícil situação financeira, económica e social e um estímulo adicional para prosseguir o esforço coletivo de ajustamento indispensável para que o país possa voltar ao rumo do crescimento, tão cedo quanto possível.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A REPÚBLICA DAS MULHERES


A sessão plenária de hoje debateu num agendamento potestativo do Grupo Parlamentar do PCP o Projecto de Resolução n.º 4/XII/1.ª (PCP) -  Pela renegociação da dívida pública e pelo desenvolvimento da produção nacional.

Independentemente da matéria em apreço e dos seu debate destaque para o facto de que, durante boa parte da sessão, a mesa ter sido constituída por três mulheres num sinal inquestionável dos tempos.

Quiçá seja um bom augúrio para o futuro de todos nós.

ENVC - O REGRESSO DO BOM SENSO !


Finda a reunião havida com a CT dos ENVC reforço a minha convicção de que há condições para que o bom-senso possa prevalecer e que se encontre a melhor solução para os estaleiros e os respetivos trabalhadores.

A necessidade de uma reestruturação do estaleiro é reconhecida, por todos, como uma necessidade para garantir a sua competitividade e o seu futuro enquanto industria estratégica do cluster marítimo à escala nacional.

Assim sendo, em clima de diálogo e de convergência, há possibilidade de se encontrar uma solução racional que permita que o estaleiro possa ser uma referência na construção e reparação naval.

ENVC - O REGRESSO DO BOM SENSO?


Em conjunto com os deputados do PSD de Viana do Castelo irei reunir com a Comissão de Trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo.

A acreditar nas notícias recentes que apontam para o adiamento dos projetos de resolução do PCP e BE por forma a albergarem contributos dos outros partidos parece que o bom senso, que é condição essencial para uma solução de viabilização sócio-económica do estaleiro, parece finalmente imperar.

Os ENVC são importantes em termos de emprego mas são também estratégicos para Portugal.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

IT'S THE ECONOMY STUPID (S) !


A frase que mais ecoou na campanha presidencial de 1982 (Bush Vs. Clinton) pode bem ser aplicada às reações esdrúxulas à vontade manifestada por Cavaco Silva de que seria desejável que o Euro pudesse ser desvalorizado face ao dólar.

Ora se todos se queixam pelo facto de, não possuindo moeda própria, Portugal não poder actuar pela via cambial para aumentar a competitividade externa da sua economia, como se entende que algo que deveria ser do senso comum, como a desvalorização do Euro, seja objeto de semelhantes críticas?

De resto basta pôr os olhos na China relativamente ao chamado dumping cambial que pratica mais aumentar (ainda mais) a competitividade da sua indústria.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

DÉJÀ VUE - A RETÓRICA DA CRISE


"Os problemas dos USA não são os da Grécia ou de Portugal." (Barack Obama)


Este é o primeiro sinal que a crise da dívida soberana chegou, de facto, aos USA.


A retórica da crise está instalada do outro lado do "charco" tal como já acontece há alguns meses deste lado. Lembram-se do "a Irlanda não é Grécia", seguido de "Portugal não é a Irlanda" e de "a Espanha não é Portugal"?


E, para além da retórica estamos perante uma verdade insufismável, os USA não são nem Portugal nem a Grécia. É que se entrarem em default , seja por a situação financeira ser grave, seja por teimosia partidária no Congresso, o melhor é o resto do mundo por as suas barbas de molho.



O CAMINHO DAS PEDRAS


Paralelamente ao anúncio da dura sobretaxa do IRS a aplicar ao Subsídio de Natal o Governo apresentou um Cenário Macro-Económico (alguns dias após o BdP ter feito o mesmo).

As projeções apontam para uma contração da actividade económica no ano corrente e no próximo, aumento do desemprego e queda do consumo privado, em linha de resto com as previsões do BdP, FMI e CE. As exportações, por seu turno, deverão crescer.

Há uma atitude diferente no modo como o Governo e, em primeiro lugar, o novo ministro das Finanças, se relacionar com a opinião pública: a verdade tem de ser anunciada, custe a quem custar. Só ela poderá regenerar a confiança entre os representantes e os representados.

Paradoxalmente há, nesta situação difícil, sinais de esperança: Portugal está finalmente a fazer os ajustamentos necessários e tantas vezes adiados para lhe garantir o crescimento económico sustentado no futuro.

Os nossos filhos agradecem.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

DESVIOS COLOSSAIS


Os escribas de plantão parecem estar entusiasmadíssimos em torno de uma eventual frase de PPC numa reunião à porta fechada e unicamente perante militantes do Partido. No PS, animado pela campanha interna, já se fala em que o PM "deve explicações".

É o início oficial da silly season.

Provavelmente gostariam, uns e outros, que se repetisse, a outrance, que Sócrates geriu exemplarmente os dinheiros públicos, perante o olhar vigilante dos escolásticos papais.

Eppur si muove...

TSU FOR ALL?


A notícia de que Bruxelas trava descida da TSU para exportadoras não é boa.

Por duas razões tenho pena que assim não seja:

  • permitiria descriminar positivamente as empresas de bens e serviços transacionáveis ajudando na sua actividade económica exportadora ou substituidora de importações;
  • permitiria uma descida mais substantiva da TSU, com efeitos benéficos sobre a sua competitividade já que a quebra de receita que daí adviria para a Segurança Social seria mais facilmente compensada por ser restrita.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

HÁ MAIS VIDA PARA ALÉM DO LIXO


A Fitch anunciou hoje um novo downgrade da dívida soberana grega que ficou "abaixo do lixo" para CCC um ponto acima do default.

Por incrível que pareça ficámos assim a saber que há mais vida para além do lixo.


MATOS ROSA - NOVO SECRETÁRIO GERAL DO PSD


Conseguir, através de uma votação secreta, 75 votos a favor, dos 77 entrados na urna é obra.

É o sinal do reconhecimento de um trabalho intenso e muitas vezes invisível em prol do bom funcionamento do Partido.

Foi assim ontem em plena reunião do Conselho Nacional do PSD: José Matos Rosa foi eleito o novo Secretário-Geral do PSD de forma inequívoca e merecida.

Na minha intervenção, ocorrida já após termos conhecimento do resultado, tive ocasião de o saudar em nome pessoal e dos TSD e de lhe dizer que um resultado tão expressivo se deve à sua personalidade, ao seu trabalho e que, acima de tudo era também um reconhecimento a todos os que militam a sul do Tejo quantas vezes em condições politicamente adversas.

Parabéns Caro Companheiro , agora, ao trabalho!

terça-feira, 12 de julho de 2011

BLOGUE RENASCIDO


Após uma longa letargia este blogue, qual Phoenix renascida, reemerge das suas próprias cinzas.

Procurarei, tal como o subtítulo indica, dar conta da minha actividade pública agora que uma nova legislatura se inicia.

À bientôt!

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Emprego, Credibilidade e Promessas Eleitorais

Publicado nos jornais "Setúbal na Rede" e "Notícias de Almada"

Está ainda presente na memória de muitos (estejamos, ou não, ligados à actividade
política) os famosos cartazes do Partido Socialista referentes às últimas eleições
legislativas em que, ao lado da fotografia de José Sócrates, se colocavam diversas
frases curtas correspondentes a outras tantas promessas eleitorais.

Pela profusão dos mesmos “urbi et orbi”, ao longo deste nosso ameno rectângulo, as
mesmas frases converteram-se, naturalmente, em compromissos eleitorais assumidos
perante os eleitores que conferiram uma indiscutível maioria absoluta ao Partido
Socialista.

Para além dos inócuos “Voltamos a Acreditar”, “Hora de Mudar Portugal” ou “Portugal vai
ter um Rumo” outras frases eram, ao invés, bastante mais assertivas apontando para
objectivos concretos a concretizar ao longo desta legislatura que ainda decorre.

De entre elas destaco a que prometia “150.000 Novos Empregos” e que, provavelmente,
será de todas a que mais se afasta do plano da realidade. É certo que a legislatura ainda
não acabou e que, no plano teórico, esta promessa ainda poderá ser cumprida. No
entanto as estatísticas são incontornáveis e demonstram, precisamente, que o
desemprego aumentou de uma taxa que era inferior ligeiramente inferior a 7% para
valores que se situa, actualmente, na ordem dos 8,4%. Refira-se que, a taxa existente à
altura das eleições de 2005, era já elevada. Não admira pois que, o PS utilizasse “a
outrance” o tema como mote eleitoral já que as pessoas tinham legitimamente essa
preocupação.

De tal modo é o embaraço socialista nesta matéria que os responsáveis políticos na área
se apressam a precisar que se trata de criação de emprego e não do saldo taxa de
desemprego Vs. taxa de emprego (esse, como é natural, bastante negativo). A ser assim
estamos perante uma desfaçatez política sem precedentes. Provavelmente teremos de
legislar de futuro no sentido de os cartazes eleitorais serem obrigados a precisarem em
caracteres pequenos os contornos exactos da operação de marketing eleitoral à
semelhança das taxas de juro efectivas dos bancos ou dos custos de manutenção dos
automóveis das campanhas publicitárias.

De facto, qualquer economia, mesmo perante o mais negro quadro recessivo cria
sempre emprego já que há sempre trabalhadores que se aposentam e que mesmo que
não sejam substituídos no mesmo número geram criação de emprego, sabe-o La Palisse
e sabemo-lo todos pelo que é uma espécie de exercício de “esperteza saloia” que todos
dispensávamos sobretudo quem tem dificuldades reais de encontrar trabalho.
Aquilo que interessa de facto a um país, a uma sociedade e acima de tudo aos
trabalhadores desempregados é a criação líquida de emprego.

É aí que as promessas caem pela base e que nada se perspectiva.

De resto a diferença entre o discurso pré-eleitoral e a prática política e legislativa numa
foi tão grande como com a actual maioria e com este XVII Governo Constitucional.
Vejam-se como se afrontam paulatina e sistematicamente diferentes classes
profissionais acusando-as de “privilegiados” para de seguida se cortarem direitos básicos
de carreira (o caso dos professores dos ensinos básico e secundário foi paradigmático).
Em lugar de se nivelar por cima faz-se precisamente o contrário perante o aplauso de
muitos de “vistas curtas” que não intuem que, a seguir, será consigo e com o seu
interesse, a sua carreira e a sua estabilidade profissional que serão “ajustadas contas”.
Se as frases dos cartazes do PS referissem isso certamente o resultado seria diferente.
Assim se descredibiliza a política aos olhos de todos.

É necessário que, à retórica inconsequente, se refunde a actividade política na base da
credibilidade e da verdade. Só assim seremos bem governados e todos (eleitores e
eleitos) nos respeitaremos efectivamente.

Pedro Roque Oliveira - 12-09-2007 09:12

quinta-feira, 28 de junho de 2007

NOVO AEROPORTO DE LISBOA

Publicado nos jornais "Setúbal na Rede" e "Notícias de Almada"

A decisão governamental de suspender o processo relativo à localização do Novo Aeroporto de Lisboa (NAL) em virtude de um estudo promovido pela Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) e que aponta para uma localização alternativa no chamado “Campo de Tiro de Alcochete” aparentemente é louvável.

De facto era, cada vez mais, incompreensível a teimosia de avançar com a localização do NAL na Ota ao arrepio do bom senso e da maioria das opiniões técnicas que apontavam para a margem sul do Tejo como a mais indicada para o efeito.

Desse ponto de vista a decisão é de saudar.

Todavia parece-nos que, quer a decisão, quer o estudo que lhe deu origem, para além do aparente bom senso, esconde uma série de interrogações que não obtêm, para já, resposta.

Como é possível que, há poucas semanas, o Ministro da Tutela, referindo-se a uma eventual localização do NAL na margem sul, tenha respondido com um prosaico e francófono “jamais” e tenha acrescentado que o NAL nunca poderia ser construído num local sem hospitais ou escolas (num “deserto” como bizarramente qualificou a margem sul do Tejo) para, pouco tempo depois, inflectir 180º essas afirmações admitindo a hipótese Alcochete?

Estamos perante um indisfarçável tacticismo político, por parte do Governo, no que ao NAL diz respeito. Trata-se, agora, de estudar comparativamente uma localização alternativa à Ota em virtude de uma incontornável maré contrária a esta localização por parte da oposição parlamentar, do Presidente da República, da maioria dos técnicos de engenharia e ordenamento territorial e da opinião pública em geral.

A tal decisão não será alheia, certamente, a circunstância de estarmos em plena campanha eleitoral para a Câmara Municipal de Lisboa e de a decisão, que se afigurava, cada vez mais, irreversível da localização na Ota se constituir como uma pedra no sapato para o candidato socialista à Câmara da capital.

De igual modo Sócrates não perde a oportunidade de mostrar que, ao contrário da imagem de autoritarismo e intolerância que procura cultivar na opinião pública, com esta surpreendente mudança, procurar pacificar a polémica (sempre desgastante para o Governo em função da oposição generalizada à Ota), evitando uma crispação com Belém e acima de tudo, procurando demonstrar que, afinal, até é um político sensato.

Há que procurar analisar este facto político para além do seu lado superficial e verificar que, sem colocar em causa o tremendo erro estratégico que será a construção do NAL na Ota, este estudo da CIP surge como uma espécie de coelho tirado da cartola que, mesmo sendo “preliminar e muito incompleto” constituiu-se, por força das circunstâncias, numa “tábua de salvação” para este Governo que estava, até então, em posição muito delicada face à sua teimosia sobre o assunto e aos excessos oratórios do Eng. Lino.

quinta-feira, 24 de maio de 2007

PORTUGAL 2007 - A IRRESISTÍVEL TENTAÇÃO DO PODER ABSOLUTO


Publicado no Jornal "Setúbal na Rede"

Foi com perplexidade que tomámos conhecimento, através da Comunicação Social, da medida disciplinar aplicada ao docente Fernando Charrua que exercia as suas funções, ao abrigo de uma requisição, na Direcção Regional de Educação do Norte (DREN).

O referido professor foi suspenso em virtude de ter feito um comentário jocoso à licenciatura do primeiro ministro e é acusado pela respectiva Directora Regional de, desse modo, ter insultado o governante.

Tratar-se-à, certamente, aos zelosos olhos administrativos da senhora Directora Regional, de um crime de “alta traição” e merecedor de uma punição exemplar.

Se não fosse tão grave esta postura autocrática da administração, a situação era risível de tão ridícula se tratar. É que, nas últimas semanas, por cada vez que um funcionário público fizesse um comentário semelhante acerca das circunstâncias bizarras em que se processou a obtenção da licenciatura pelo senhor primeiro ministro, se instaurasse um processo disciplinar então, pode afirmar-se sem receio de engano, que ninguém escaparia na Administração Pública.

A menos que, tal procedimento, represente uma forma encapotada de pressão sobre o conjunto dos funcionários públicos portugueses, uma espécie de aviso público, formal e solene, embora subliminar, que está de novo instalado o "delito de opinião" e que os direitos constitucionais de liberdade de expressão e de opinião, que custaram, tantas vezes, a liberdade de muitos para que pudessem ser consagrados em Portugal, se encontram de novo comprometidos entre nós.

O que é certo é que comentários semelhantes estiveram na base da recente invocação da sua “condição de engenheiro inscrito na Ordem” por parte do senhor Ministro das Obras Públicas, Mário Lino, em tom irónico e perante a gargalhada geral da sala como “aparte” de um discurso proferido no decurso do “Terceiro Congresso do Oeste” em Alcobaça, no passado dia 3 de Maio.

É que, das duas uma: ou há portugueses de primeira e de segunda perante o alto critério de determinados executantes da administração, nomeados em virtude da sua confiança política ou, o senhor Ministro das Obras Públicas, há semelhança do seu colega que tutela a Economia, goza de um estatuto especial de impunidade ou até, quiçá especulando, da mais completa inimputabilidade.

Do burlesco episódio fica a lição: quando os tiques autocráticos se instalam numa sociedade supostamente plural, quando se confunde maioria absoluta com “poder absoluto” e quando se espezinham direitos constitucionais de forma leviana então estamos perante um sinal eloquente de que, politicamente, algo vai mal, muito mal mesmo, neste Portugal democrático...

Post - Scriptum - Após este artigo ter sido escrito e publicado (23MAI07) o Ministro Mário Lino, neste mesmo dia, numa alocução num almoço promovido pela Ordem dos Economistas, em Lisboa, afirmou que a "Margem Sul é um deserto!". Fica assim reforçada a minha tese de "inimputabilidade" que este governante goza na praça pública.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

O Novo ECD, a Criação do Professor Titular e o “FurtoQualificado” da Carreira Docente

Imagem de wehavekaosinthegardem.blogspot.com (com a devida vénia)

Já se tornou um lugar comum afirmar que o actual Executivo, no aspecto educativo, é o pior desde o 25 de Abril. Um breve esforço de memória não trairá, por certo, esta premissa. De facto será muito difícil, para não dizer impossível, recordarmos uma medida positiva e benéfica relativamente ao sistema educativo e à carreira dos professores, que tenha saído da “5 de Outubro” por parte deste XIV Governo.

A declaração de guerra às escolas e aos professores que constitui o novo Estatuto da Carreira Docente (ECD) não tem paralelo no Portugal democrático. Em nome do equilíbrio orçamental destrói-se uma carreira docente estimulante e compromete-se a qualidade do sistema educativo.

A redução drástica da despesa foi o objectivo estratégico (inconfessado, todavia) que presidiu à imposição unilateral do novo ECD, tudo o resto, foram manobras tácticas para se chegar aquele objectivo. Todos os métodos serviram. Não se teve qualquer pudor em atacar o prestígio social e até a dignidade dos professores dos modos mais vis. Pôs-se em causa o seu empenho profissional, a sua assiduidade, o sistema de colocações, a sua carreira, a sua avaliação e responsabilizou-se a classe pelos níveis de insucesso e de abandono escolar.

O objectivo, aparentemente, está conseguido. O ECD consagra um garrote na carreira docente que impedirá a esmagadora maioria dos docentes de ascender ao topo da carreira criando, artificialmente, uma nova categoria (professor titular) com um conteúdo funcional que não se distingue das funções já exercidas pelos docentes nas escolas. É uma quebra clara da boa – fé contratual entre o Estado e cada um dos professores que se encontra na carreira e uma forma capciosa de tentar resolver um problema orçamental à custa da carreira dos professores.

Reforço o modo “aparentemente” já que, embora o ECD esteja publicado e seja lei desta República, ele conta, na questão específica das “duas categorias”, com o desagrado claro dos partidos da Oposição parlamentar como ficou bastante nítido no debate da Apreciação Parlamentar requerido pelo PCP (veja-se http://www3.parlamento.pt/PLC/Iniciativa.aspx?ID_Ini=33371)

Na sequência do referido debate, o Grupo Parlamentar do PSD vai requerer a Fiscalização Sucessiva da Constitucionalidade de algumas normas do "ECD”, precisamente as que dizem respeito à criação da categoria de professor titular. Tal circunstância, para além de expor a solidão da actual maioria sobre esta questão controversa, permite manter a esperança que, no futuro, com uma alteração na composição política parlamentar, a questão será reequacionada no sentido positivo.

De referir que, entretanto, já está em curso o denominado “primeiro concurso para professor titular”. Corresponde, de resto, à primeira regulamentação do novo ECD e consta de duas parte distintas:

· uma primeira fase para os professores que se encontram no 10.º escalão em que, de modo automático, “ascendem” a titular se no conjunto da soma de diferentes pontuações atribuídas a desempenhos nos últimos sete anos obtiverem 92 pontos;

· uma segunda fase para os professores actualmente nos 8.º e 9.º escalões e nos quais os mesmos parâmetros permitem uma graduação de acordo com a soma das pontuações obtida e a colocação em vagas de titular disponíveis.

Ou seja, os professores do 10.º escalão, irão ganhar exactamente o mesmo como titulares e ocuparão a maioria das escassas vagas uma vez que a necessidade de titulares é diminuta (correspondendo, de resto, às coordenações dos departamentos, órgãos de gestão e pouco mais). As poucas vagas que restarão serão então ocupadas pelos demais professores concorrentes (8.º e 9.º escalões). Não é, portanto, um concurso, é antes uma fraude generalizada já que a esmagadora maioria dos docentes marcará passo na carreira e, todos aqueles que ainda não alcançaram o 8.º escalão, verão o seu topo de carreira num índice remuneratório situado, algures, entre o 7.º e o 8.º escalões. O 10.º escalão será agora uma miragem para quase todos os que ainda não o alcançam, mesmo para quem concorra agora a titular.

De igual modo, os critérios de ordenamento dos candidatos e os parâmetros da grelha de pontuação ferem os mais elementares princípios de segurança jurídica, já que são definidas regras que regulamentam um período temporal pretérito na carreira de um docente. Tais regras são perfeitamente arbitrárias e retroactivas descriminando todos os que exerceram determinados cargos nas escolas há mais de sete anos ou penalizando todos os professores que, ao abrigo do art.º 38 do anterior ECD, estavam equiparados a serviço docente efectivo (exercício dos cargos de Presidente da República, deputado à Assembleia da República, membro do Governo, vereadores, chefes de gabinete, assessores, dirigentes sindicais, etc.).

Esta penalização tem rosto: trata-se de tentar vergar os sindicatos de docentes que, com elevado sentido de dever, puseram de lado as suas divergências e se uniram em “Plataforma Sindical” encetando um processo de luta ímpar com efeitos políticos nefastos para a imagem do Governo em geral e da equipa da Educação em particular. Para além da tentativa de chantagear os sindicatos há o aspecto pérfido da “vingança” e do “ajuste de contas” contra os dirigentes sindicais. De resto, esta forma heterodoxa de entender o diálogo social encontra eco aos mais diversos níveis na vida do sistema educativo e ameaça tornar-se prática corrente na vida do sistema educativo aos mais diversos níveis.

Veja-se, por exemplo, o caso da interdição dos docentes poderem assistir a reuniões sindicais fora do seu local de trabalho (mesmo que seja noutra escola) que foi derrogada por um tribunal mas que a administração insiste em manter ilegalmente em vigor ou, mais recentemente, o episódio da DREN, em que todos, com perplexidade, tomámos conhecimento através da Comunicação Social, da medida disciplinar aplicada ao docente Fernando Charrua que exercia as suas funções naquela Direcção Regional.

Importa debruçarmo-nos sobre este episódio já que ele é elucidativo do actual estado de coisas na administração educativa: o referido professor foi suspenso em virtude de ter feito um comentário jocoso à licenciatura do primeiro - ministro e é acusado, pela respectiva Directora Regional de, desse modo, ter insultado o governante. Tratar-se-à, certamente, aos zelosos olhos administrativos da senhora Directora Regional, de um crime de “alta traição” e merecedor de uma punição exemplar (apesar de ser fonte de inspiração quotidiana do anedotário nacional).

Tal procedimento configura uma forma encapotada de pressão sobre o conjunto dos funcionários públicos portugueses, uma espécie de aviso público, formal e solene, embora subliminar, que está de novo instalado o "delito de opinião" e que os direitos constitucionais de liberdade de expressão e de opinião, que custaram, tantas vezes, a liberdade de muitos para que pudessem ser consagrados em Portugal, se encontram de novo comprometidos entre nós.

Quando os tiques autocráticos se instalam numa sociedade supostamente plural, quando se confunde maioria absoluta com “poder absoluto” e quando se espezinham direitos constitucionais de forma leviana então estamos perante um sinal eloquente de que, politicamente, algo vai mal, muito mal mesmo, neste Portugal democrático.

Também os professores estão a ser vítimas desta postura autoritária. O novo ECD é a institucionalização de um “furto qualificado” à sua carreira e de uma afronta à sua dignidade. Mas como diz o povo: “não há mal que sempre dure…”.

quarta-feira, 14 de março de 2007

AMEAÇAS AO LITORAL CAPARICANO E À ZONA RIBEIRINHA DA TRAFARIA (parte I)

(publicado no "Notícias de Almada de 21MAR07)

Dividiremos este artigo em duas partes. Nesta primeira abordaremos a questão da transgressão marítima na zona das praias de São João para, num segundo, nos debruçarmos sobre o inconfessável projecto de transferência de instalações portuárias pesadas para a Trafaria.

Várias ameaças impendem sobre o litoral caparicano e a zona ribeirinha da Trafaria. Umas naturais e, por esse motivo, mais dificilmente controláveis; outras artificiais mas não menos temíveis apesar de, para serem evitáveis, bastar apenas bom senso e vontade política.

A multiplicidade de entidades que detêm a jurisdição sobre o território ribeirinho e atlântico das freguesias da Trafaria e Costa da Caparica têm sido, ao longo dos tempo, um aliado objectivo do estado de degradação a que a zona chegou nos últimos anos a que o POOC Sintra – Sado (Plano de Ordenamento da Orla Costeira) deveria por cobro mas que, ao invés, parece também ele, só por si, impotente para travar.

Senão vejamos. As contínuas e sistemáticas tentativas de transgressão marítima na zona da praia de São João da Caparica devem-se, não só, ao já sensível aumento do nível médio das águas do mar como efeito do chamado “aquecimento global” como também e acima de tudo à destruição da restinga natural existente na foz do Tejo entre a actual zona da Cova do Vapor e do Farol do Bugio que, segundo os especialistas, facilitava o assoreamento natural das praias do litoral caparicano, sobretudo as que se situam mais a norte (precisamente as que têm estado sujeitas a uma pressão maior nos últimos tempos).

A situação não é nova: todos os Invernos a ameaça repete-se em São João da Caparica até porque, as recentes obras de recuperação da defesa aderente e dos esporões da Costa da Caparica, não abrangeu aquela zona.

Em 2007 perante as investidas do mar e o rompimento iminente da duna aplicam-se paliativos que, longe de resolverem o problema e transmitirem tranquilidade e confiança às populações, apenas o adiam. É que a reconstituição artificial da duna com areia, não resolve o problema de fundo já que, cada vez que a praia mar é um pouco mais forte, recomeçam os problemas.

Quando os representantes da população, como é o caso do Presidente da Junta de Freguesia da Costa da Caparica, vêm pôr o dedo na ferida exigindo uma obra de engenharia com a robustez suficiente que consiga suster, de forma consolidada, a transgressão marítima logo a sua intervenção é desvalorizada.

Pois deixem que vos diga: essa obra é não só necessária como imperiosa já que foi a destruição da restinga de areia do chamado “Fecho da Golada do Bugio” que acentuou visivelmente a erosão costeira permitindo ao mar as sucessivas tentativas de transgressão.

Poderá sempre evocar-se a questão da relação “custo – benefício” entre o investimento público necessário (previsivelmente elevado) e os valores a proteger mas convirá não esquecer que boa parte da freguesia da Costa da Caparica se situa abaixo do nível médio das águas do mar e que uma transgressão marítima que venha a acontecer terá, por esse motivo, consequências imprevisíveis em termos de prejuízos ambientais e materiais.

Será bom que o INAG e o Estado levem isso em linha de conta já que o descartar ou mesmo o adiar essa intervenção de fundo pode ser fortemente lesiva das populações e comprometer mesmo os projectos em curso com vista à requalificação da área, nomeadamente a implementação do Programa Pólis.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

MST – Da Irresponsabilidade Política à Implementação no Terreno

Almada Negreiros - Ex-Libris do Tribunal de Contas
(publicado no Notícias de Almada de Fev 2007)

Poderá, ao leitor atento do Notícias de Almada, parecer obsessão, da nossa parte, o facto de, recorrentemente, abordarmos neste espaço o tema do Metro Sul do Tejo (MST).

No entanto esta fixação tem um único motivo: o atraso com que a implementação do projecto está a decorrer, as responsabilidades políticas que o motivaram e as consequências económicas que irão, inevitavelmente, daí advir para o Estado (concedente da obra) que se verá na contingência de reequilibrar financeiramente o consórcio construtor (concessionário) relativamente ao contrato firmado.

Importa recordar, pela enésima vez, que o MST já deveria estar em pleno funcionamento (linhas Corroios – Cacilhas - Monte Caparica) desde Dezembro de 2005 e de, também, tal como aqui o dissemos anteriormente, o atraso se dever, sobretudo, ao impedimento de disponibilização dos terrenos no eixo central da cidade de Almada, por parte da autarquia e à concomitante inércia do concedente (Governo) no sentido de diligentemente ultrapassar a questão. Tais dificuldades, resultarão, na prática, em mais de dois anos e meio de atraso relativamente à data prevista com os inevitáveis sobrecustos daí decorrentes até do ponto de vista ambiental.

Foram, o PSD Almada, os seus vereadores e os seus deputados municipais, muitas vezes, acusados de faltarem à verdade nesta denúncia sistemática que vêm mantendo de há muito tempo a esta parte. Pois bem, vem agora, o politicamente insuspeito Tribunal de Contas, através do seu relatório de auditoria (que pode ser lido em https://www.tcontas.pt/pt/actos/rel_auditoria/2006/audit-dgtc-rel046-2006-2s.pdf ) dar-nos razão nesta nossa demanda.

De facto, o referido documento reafirma que a Autarquia de Almada adoptou uma deliberação a condicionar o desenvolvimento da construção das infra-estruturas do MST, de acordo com o previsto e, consequentemente, impediu a entrada em exploração do sistema nos prazos programados, já que decidiu não disponibilizar os terrenos conforme se poderá ler nas pp. 36 e seguintes do referido relatório.

São especialmente contundentes, para as posturas, quer da autarquia almadense, quer do Governo perante o MST, as afirmações produzidas nas :

. p. 37 ao afirmar que “Os Municípios constituíram-se responsáveis perante o Estado, em caso de incumprimento das suas obrigações, na medida em que esse incumprimento acarrete a obrigação do Estado indemnizar, reparar ou reequilibrar financeiramente a posição da Concessionária.”

. e na p38 ao referir que “A não disponibilização dos ditos terrenos, nas datas previstas no Plano de Trabalhos do Anteprojecto, é susceptível de configurar um incumprimento dos Protocolos, acarretando o dever do Estado Concedente de indemnizar ou reequilibrar financeiramente a Concessionária.”

Numa altura em que, finalmente, tudo está desbloqueado e em que, na principal artéria da freguesia de Cacilhas, são já visíveis as obras, importa, acima de tudo, que todos os intervenientes com responsabilidades nesta matéria (Governo, Autarquia e Concessionária) possam fazer pleno uso do bom senso por forma a que, sem mais demoras e custos acrescidos, a obra possa avançar a bem dos almadenses, da sua qualidade de vida e do ambiente.

AGENTIC ARTIFICIAL INTELLIGENCE AND THE "PRISONER'S DILEMMA"

  The idea that agentic Artificial Intelligence—an autonomous system capable of planning, making decisions, and executing complex tasks with...