COFRES CHEIOS E VAZIOS


A política de casos desta pré-campanha conheceu novo artificialismo mediático em virtude da afirmação da Ministra de Estado e das Finanças de que "o país tem os cofres cheios".

Como todas as frases retiradas do respetivo contexto, profusamente glosadas na comunicação social e no ciberespaço, as polémicas desenvolvem-se como os organismos vivos, isto é, de modo autónomo e sem controlo, ninguém se importando de contextualizar o facto que lhe está na origem na sua plena integralidade.

Analisemos porém toda a frase: " [A dívida pública] está, de facto, ainda muito elevada (...). Mas hoje, quando olhamos para a dívida pública, está lá tudo e está também o conforto de saber que, para além disso, temos cofres cheios para poder dizer tranquilamente que se alguma coisa acontecer à nossa volta que perturbe o funcionamento do mercado, nós podemos estar tranquilamente durante um período prolongado sem precisar de ir ao mercado, satisfazendo todos os nossos compromissos".

Ou seja, só por ignorância ou má-fé discordaremos da mesma. Ela reconhece que a dívida é elevada, que a reserva financeira é obtida pelo endividamento mas que, contrastando com o que se passou em maio de 2011 (e já agora, nos dias que correm na Grécia) há o dinheiro suficiente para qualquer eventualidade e para satisfazer compromissos tão básicos do Estado como sejam os vencimentos dos trabalhadores da Administração Pública e as prestações sociais.

Foi pelo facto insofismável dos "cofres vazios" e sem qualquer possibilidade de os "encher" que, em maio de 2011, o país teve de bater à porta dos credores internacionais (anteriormente conhecidos por "troika"), de aceitar um Memorando de Entendimento e um jugo internacional que o reduziram politicamente a pouco mais que um protetorado mas do qual se soube reerguer exemplarmente.

Se a opção é entre os cofres estarem cheios ou vazios julgo que ninguém (nem mesmo os detratores) hesitará um segundo sobre qual das situações prefere.


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