QUEM QUER “ENTERRAR” O MST?

Tem sido a comunicação social inundada de notícias referentes a movimentações de última hora sobre o traçado do Metropolitano do Sul do Tejo (MST). Este mau estar de alguns munícipes almadenses, que podemos admitir como genuíno, pode indiciar um aproveitamento político agora que a obra está devidamente consolidada, em que existem prazos definidos e financiamentos garantidos em PIDDAC. Que ninguém tenha ilusões: enterrar o MST (em sentido literal) como alguns pretendem significaria “enterrar” definitivamente o projecto (em sentido figurado).

Sejamos realistas: o projecto de MST, cuja primeira fase irá arrancar já no início de 2003, não é a solução óptima, é antes a solução boa. O próprio PSD de Almada levantou, ao longo dos tempos, reticências, acerca do traçado, seja sobre a forma de implementação no terreno do mesmo, seja sobre o traçado proposto. Inclusivamente defendemos que deveria contemplar a Costa de Caparica uma vez que tal faria todo o sentido em virtude do grande afluxo de passageiros que demandam aquele destino do concelho de Almada.

Sem embargo, nunca as nossas críticas visaram inviabilizar o projecto, pelo qual nos empenhámos e que apoiamos vivamente.

De resto e, porque muitas vezes a memória das pessoas é curta, ou no campo político, estranhamente selectiva, convirá recordar alguns factos inegáveis designadamente a circunstância de, já em 1995, ainda com o Eng. Ferreira do Amaral à frente das Obras Públicas, o projecto do MST ter estado contratualizado.

Se a este pressuposto juntarmos o facto de, durante o Governo socialista, o projecto ter, ano após ano, marcado passo até finalmente, já em 2002, ter saído do marasmo e a curiosa circunstância do PS almadense ter sido e continuar a ser um opositor feroz do projecto (circunstância reforçada com o seu sentido de voto na Assembleia Municipal extraordinária realizada já este ano e que aprovou o contrato) temos criado um caldo de cultura que propicia alguma desconfiança quanto à autenticidade desta tardia contestação.

O argumento principal da contestação prende-se com a travessia do eixo da cidade de Almada. Alega-se que, tal travessia deveria processar-se subterraneamente e que tal alteração ao projecto encareceria a obra em “apenas” 15%. Dito desta forma parece tudo muito simples: pára-se tudo, elabora-se um novo estudo, um novo projecto, garante-se um novo financiamento (aquilo que deu mais trabalho a conseguir como é fácil de compreender) e acrescentam-se, a acreditar na tese dos 15% de acréscimo, 27.000.000 euros ao financiamento plurianual já consagrado em PIDDAC (em discussão neste momento na Assembleia da República) no valor total de quase 177.000.000 de euros.

Por mais cândida que possa ser a opinião pública torna-se óbvio que ninguém de boa fé acredita que, num cenário virtual como o descrito no parágrafo anterior, o MST conhecerá, alguma vez a luz do dia.

Mas existem outras razões que relevam em favor da solução escolhida de travessia à superfície.

Não deixa de ser curioso de, na cidade do Porto, num processo em tudo inverso, estar prevista a travessia da Praça da Liberdade em túnel e de, tardiamente, se ter tentado colocar à superfície essa travessia por se achar que tal valorizaria esteticamente a paisagem urbana.

O MST não é uma linha de caminho de ferro, antes um eléctrico rápido (semelhante ao existente em Lisboa entre a Praça da Figueira e Belém) e a sua implantação à superfície significa que é possível cruzar a linha já que não existe nenhuma barreira arquitectónica. Vai, igualmente estruturar a circulação automóvel impedindo a prática abusiva e, até agora incontornável de estacionamento em segunda fila com os mais diversos argumentos (desde a simples ida à farmácia, passando pela compra do jornal ou o saborear café) uma vez que reduzirá para uma faixa de circulação em cada sentido.

A tendência actual das cidades europeias desenvolvidas é, precisamente a de, tirando cada vez mais espaço ao transporte individual, devolver o mesmo aos cidadãos para o usufruto da cidade. Ganha-se em qualidade de vida ao se respirar melhor e mais desafogadamente. Ganham assim as pessoas e o comércio local.

Neste aspecto, a travessia subterrânea significaria ficar tudo na mesma: o abuso da utilização da via pública. Estamos perante uma oportunidade única de requalificar não só a cidade de Almada como todo o espaço exterior envolvente do espaço canal onde o MST irá circular.

Também convirá referir que a fase de construção será aquela que causará maior impacto e incómodo na vida dos cidadãos por via da utilização e ocupação da via pública ampliada pela duração prolongada das obras, ora uma intervenção conducente a criar galerias subterrâneas, por maioria de razão, causará incómodos muito superiores.

Isto já para não falar do melindre técnico da mesma que certamente faria disparar os custos muito para além dos 15% que se procura repetir à exaustão.

Assim que ninguém tenha ilusões: enterrar o MST (em sentido literal) como alguns pretendem significaria “enterrar” definitivamente o projecto (em sentido figurado). Certamente que alguém tiraria proveito político disso, mas não os almadenses.

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