quarta-feira, 12 de outubro de 2005

O Rescaldo Eleitoral, na Nossa Óptica

Em primeiro lugar gostaria de saudar a CDU e a Presidente do Município pela vitória obtida em Almada no passado dia 9 de Outubro e desejar que possam efectuar um bom trabalho em prol dos almadenses.

Pela nossa parte foi, como diria Eça, uma Campanha Alegre. Procurámos sempre apresentarmo-nos pela positiva, sem denegrir ninguém. Fomos bem aceites nas ruas mas, ainda assim, os resultados do PSD em Almada, não foram, nem bons, nem maus.

Mantivemos o mesmo número de vereadores, reforçámos as nossas votações na Charneca e na Costa da Caparica (a “aldeia gaulesa” do PSD). Obviamente que ficámos aquém das nossas expectativas que eram subir em todos os órgãos. Isso não foi possível em muitos casos. Sentimo-nos, por isso, algo frustrados com o nosso desempenho.

Sem embargo, apesar de não termos descolado no nosso score eleitoral ficaram muitas sementes para o futuro: a visibilidade, a alegria, a espontaneidade e, acima de tudo, a Juventude das nossas listas. Aí vencemos claramente e as outras candidaturas estão longe de poder afirmar o mesmo, veja-se a média de idades e compare-se.

Connosco Almada tem Futuro!

Alguns factos relevantes relativamente às demais candidaturas:

• A ausência da candidata da CDU - nunca foi avistada nas ruas, apenas em instituições previamente escolhidas, resguardando-se da exposição aos eleitores e à comunicação social como o provam a ausência injustificada no debate promovido pelo “Setúbal na Rede”, a entrevista não concedida ao “Sem Mais Jornal”, ou a entrevista ao “Notícias de Almada” diferente dos restantes candidatos já que foi concedida fora do prazo estipulado e sem responder às mesmas perguntas que os demais.

• Quanto ao PS poderemos situar a sua campanha nos antípodas da nossa - feita pela negativa, procurando tudo prometer e desejando, a todo o transe, o voto útil. Ficarão para a história, os cartazes com o rol de promessas das quais se destacam o túnel Algés Trafaria (quando o Governo já veio dizer que a travessia será Chelas - Barreiro) ou o incrível “teleférico Costa – Fonte da Telha”. A todos foi prometido tudo! O PS apenas se descredibilizou.

Tive ocasião segunda-feira, na imprensa, de observar o mapa eleitoral nacional publicado com as cores dos partidos. Há uma fronteira eleitoral nítida delineada pelo Rio Tejo. A sul, com excepção do Algarve e de Portalegre, o PSD não detém presidências de municípios. A norte é a hegemonia em quase todo o lado.

A pergunta fica no ar: que razões sociológicas esotéricas farão com que, a sul do Tejo, o PSD não seja aceite como uma alternativa em termos autárquicos?

É que, a atestar pelo trabalho desenvolvido por muitos municípios liderados pelos social-democratas, as populações muito teriam a ganhar se não votassem sempre de forma ideológica.

Pedro Roque

Post-Scriptum – À data em que este artigo foi escrito continua por se saber se será, ou não, efectuada uma recontagem dos votos. O BE não elegeu o seu vereador por quinze votos e, se assim sucedesse, a CDU deixaria de ter maioria absoluta na Câmara Municipal. Naturalmente que, por um voto se ganha ou perde, é assim mesmo a democracia. No entanto chegaram-nos ao conhecimento alguns relatos factuais que, a serem verdadeiros, põem em causa os números e podem indiciar que os resultados reais não são exactamente aqueles que foram divulgados. Em nome da verdade e da transparência democráticas seria importante que se procedesse a essa mesma recontagem.

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