CRUZADA ANTI-PARLAMENTAR OU CRUZADA ANTI-DEMOCRÁTICA?


Circula na blogosfera uma petição online que exigem entre outras coisas, "que o Presidente da Assembleia da Republica, conjuntamente com o Primeiro-Ministro e Presidente da República, emitam um comunicado em que admoestem claramente os Deputados pelo comportamento praticado, sobretudo quando é exigido ao povo praticas de moralidade, cumprimento e esforço laboral".

Ora há aqui um grave e lamentável equívoco: a Assembleia da República é um órgão de soberania. Como é que o Presidente da República e 1.º ministro (que também e "pour cause", é deputado) podem admoestar deputados eleitos pelo povo? Será que existem órgãos de soberania de primeira e outros de segunda classe?

Sem pretender relevar, justificar ou branquear o comportamento absentista de alguns deputados em parece-me muito perigosa esta autêntica cruzada anti-parlamentar que de forma consciente, ou não, se assiste entre nós.

O parlamento, eleito de forma livre e democrática, como é o caso do português, constitui a essência da democracia em que queremos viver. Colocá-lo em causa, de forma sistemática e, quantas vezes gratuita, é a melhor forma de abrirmos as portas a regimes autoritários de má memória mas que parecem sugerir certos discursos saudosistas.

A alternativa, meus amigos, é um sujeito de bigode, autoritário, que elimina todas as vozes discordantes mas que parece obter a anuência de 99,7% das pessoas em plebiscitos "rigorosamente organizados". Portanto “amado pelo povo” já que a paz política é uma realidade, sem contraditório ou escândalos de espécie alguma.

É para isso que queremos evoluir? Claro que não, até porque, paradoxalmente, a blogosfera seria então "rigorosamente suavizada" à semelhança de alguns países autoritários.

Não deixem de exercer o vosso sentido crítico mas sejam justos e imparciais nas análises e, acima de tudo, não confundam a nuvem com Juno.

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